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Artigo - Jornal O Povo - Esclerose Multipla e Outras Doenças Desmielinizantes: Um Desafio Diagnóstico.

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27/05/19
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Artigo - Jornal O Povo - Esclerose Multipla e Outras Doenças Desmielinizantes: Um Desafio Diagnóstico.

ESCLEROSE MÚLTIPLA E OUTRAS DOENÇAS DESMIELINIZANTES: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO.

 

Doenças desmielinizantes são um grupo de doenças que tem em comum o mecanismo de ativar um processo inflamatório destruindo a bainha de mielina de nervos do cérebro e da medula espinhal como a esclerose múltipla, neuromielite óptica, mielite. Em outros casos a destruição da mielina ocorre no sistema nervoso periférico como na síndrome de Guillain-Barre e polirradiculoneuropatia inflamatória desmielinizante crônica. A bainha de mielina é a estrutura responsável pelo bom funcionamento da transmissão do impulso nervoso no nosso corpo. O processo inflamatório pode ser ativado após uma vacina, por agentes infecciosos, por reações autoimunes do próprio indivíduo e por causas ainda desconhecidas. A doença mais conhecida deste grupo é a Esclerose Múltipla, uma doença autoimune do sistema nervoso central, que acomete indivíduos jovens, com predomínio em mulheres, e que os sintomas podem acometer qualquer parte do corpo, sendo os mais comuns visão turva, tontura, fadiga, falta de força ou equilíbrio, formigamentos, em um processo crônico, ou seja com ¨surto¨ de sintomas durando dias a semanas. Pode haver alguma melhora e depois volta a aparecer no mesmo local ou em alguma outra parte do corpo, a depender do grupo de nervos que sofreu o processo inflamatório de desmielinização. Devido a variedade de sintomas, o diagnóstico da Esclerose Múltipla é um grande desafio. Historicamente a doença é definida quando temos pelo menos 2 surtos clínicos em diferentes locais do corpo e em períodos de tempo diferentes. Com a tentativa de diagnosticar e iniciar o tratamento cada vez mais cedo da doença, atualmente os critérios permitem o diagnóstico com apenas um surto clínico, mais lesões compatíveis com disseminação no tempo/espaço na ressonância magnética de crânio e/ou estudo do líquor, além da exclusão de outras doenças que possam mimetizar o quadro. Outra mudança importante, tem sido no tratamento da doença, com o surgimento nos últimos anos de novas medicações para formas refratárias ao tratamento inicial e para formas mais graves da doença. Com a mudança nos critérios diagnósticos, e com o aumento recente do arsenal terapêutico, esperamos que as pessoas possam ser diagnosticadas e tratadas cada vez mais cedo, e que isso possa impactar de forma positiva no prognóstico, mantendo a funcionalidade dos pacientes e transformando vidas. Portanto, se você ou alguém que conheça, estiver apresentando visão embaçada, formigamentos, falta de força ou desequilíbrio, procure um neurologista para avaliação do quadro.

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