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-Artigo - Jornal O Povo - Diagnóstico do Câncer de Tireoide

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29/04/19
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-Artigo - Jornal O Povo - Diagnóstico do Câncer de Tireoide

Diagnóstico do Câncer de Tireoide - Além do USG e PAAF

 

O Câncer de tireoide se torna cada vez mais comum, afetando principalmente as mulheres, onde representa hoje a sua quinta causa de câncer. Estima-se que em 2035 será o terceiro câncer a acometer o gênero feminino.

A ultrassonografia (USG) foi o mais importante avanço no diagnóstico desse câncer. Se  mesmo por médicos experientes os nódulos só podem ser palpados em 1% dos homens e 5% das mulheres, com o uso da USG identificamos nódulos em até 67% de certas populações. Cânceres, entretanto, representam apenas 5% desses nódulos. Como evitar então cirurgias desnecessárias em pacientes sem câncer?

Para separar o câncer do nódulo benigno a Punção Aspirativa de Agulha Fina (PAAF) tem sido o método de escolha. A PAAF colhe células do nódulo suspeito e em laboratório categorizamos esses achados de acordo com uma classificação chamada Bethesda. A probabilidade desse nódulo ser um câncer é então estabelecida.

O problema é que esse método tem um índice razoável de falhas, principalmente em nódulos muito grandes ou pequenos - estes cada vez mais comumente identificados por USG cada vez mais modernos. Assim, cânceres podem ser ignorados e nódulos benignos erroneamente tidos como câncer.

A solução tem sido buscar outros métodos para melhorar o diagnóstico. A Corebiopsia é um exame semelhante a PAAF, mas que extrai tecidos, não só células. Antes grosseiro, o equipamento era inviável em glândula tão delicada como a tireoide, mas o avanço tecnológico já permitem confecção de agulhas quase tão finas quanto as de PAAF. Esse método tem crescido em uso no oriente e em algumas diretrizes já substitui ou complementa a PAAF com ótimos resultados.

Há opções ainda menos invasivas. Exames de sangue chamados Perfil de Expressão Genética também tem sido desenvolvidos e se baseiam em identificar no paciente a presença de genes para câncer. Esse método, já disponível, ainda está em estudo e esbarra no problema do alto custo devido a grande quantidade de genes envolvidos e a sofisticação dos aparelhos necessários.

O futuro do diagnostico do câncer parece residir na individualização dos casos com exames escolhidos de acordo com o perfil de risco de cada paciente. Se as opções ao médico e ao paciente cada vez mais abundam, o que não parece mudar é a velha máxima médica de que quanto mais cedo o diagnóstico mais fácil o tratamento. Para tal,  a antiga e eficaz consulta médica regular e preventiva continua sendo a melhor forma de diagnóstico precoce e o melhor remédio.

 

Dr. Bruno Segundo

Cirurgião de Cabeça e Pescoço

CRM-CE 16754 / RQE 8234

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