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Artigo - Jornal O Povo - AVANÇOS TÉCNICOS NO TRATAMENTO DOS ANEURISMAS CEREBRAIS:

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22/04/19
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Artigo - Jornal O Povo - AVANÇOS TÉCNICOS NO TRATAMENTO DOS ANEURISMAS CEREBRAIS:

Os Aneurismas cerebrais são lesões vasculares localizadas dentro do crânio, representadas como dilatações ou lobulações (com aparência de pequenas “bolsas ou bexigas”) que se desenvolvem na parede dos vasos cerebrais ao longo da vida. Apresentam alguns fatores propensores, tais como: herança familiar, sexo feminino, tabagismo, hipertensão arterial sistêmica e algumas doenças raras do tecido conjuntivo. Apesar de afetar um número grande de pessoas, a maioria dos aneurismas são silenciosos, não causando sintomas. Cerca de 1 a 5% da população geral apresenta essas lesões, com média de idade de 40 a 60 anos quando do diagnóstico.

Essas lesões, em algum momento da vida podem romper e sangrar para o interior do cérebro, implicando graves consequências, como infarto cerebral, hidrocefalia (acúmulo de liquor no crânio), e aumento da pressão dentro do crânio. A taxa de sangramento (ruptura) dessas lesões ao ano é da ordem de 2% em média.

A hemorragia da ruptura, é chamada de “hemorragia subaracnóidea”, manifesta-se com dor de cabeça de forte intensidade e súbita, conhecida como “a pior dor da vida”. Cerca de 15% das pessoas que apresentamhemorragia evoluem para óbito antes mesmo de receberem atendimento hospitalar. A taxa de mortalidade na primeira hemorragia é da ordem de 30%, e a do segundo evento de sangramento, de 70% em média. Cerca de 60% de todos os pacientes que sobrevivem apresentarão alguma sequela neurológica.

O maior desafio atual é identificar essas lesões antes que elas venham a causar hemorragia, além de definir as que tem maior potencial de romper, reservando tratamento conservador para àquelas com baixo risco de complicações e estabelecendo com mais eficácia os pacientes que mais se beneficiarão do tratamento. Vários fatores são analisados, tais como: tamanho da lesão, aparência da lesão, localização da lesão dentro do cérebro, idade do paciente, se é portador de hipertensão arterial, se apresenta um ou vários aneurismas ou se já apresentou hemorragia cerebral por aneurisma em algum outro momento da vida. Por outro lado, no caso dos aneurismas que já sangraram, eu suas totalidades devem ser tratados.

Essas lesões podem ser diagnosticadas por uma série de exames de imagem, como Angiotomografia, AngioRessonância, sendo a Arteriografia cerebral o exame padrão ouro tanto pata o diagnóstico da lesão, como para o a planejamentoterapêutico apropriada para cada caso.

A Neurorradiologia intervencionista, ramo da neurologia e da neurocirurgia que se dedica ao estudo e tratamento dessas lesões,  apresentou vários avanços nas últimas décadas e nos últimos anos, de forma que o arsenal terapêutico atual nos permite tratar a maior parte dos pacientes pela via endovascular, via através da qual se faz “literalmente por dentro do vaso”, iniciando por uma punção de uma artéria na virilha ou do braço, através da qual se progride cateteres até os vasos do pescoço e do crânio,dentro dos quais se conduz microcatéteres ainda mais finos e delicados até o interior do aneurisma, a partir daí se depositam sucessivas molas de platina, até obter exclusão completa do aneurisma da circulação cerebral.

Novos dispositivos como os balões, que são utilizados para “Remodelling”, ou seja, para conter as molas dentro do saco aneurismático são bastante utilizados, sobretudo nos aneurismas largos. Outros dispositivos utilizados são os Stents intracranianos; representados por malhas trançadas de fios de um material chamado Nitinol, que revestem a superfície interna do vaso onde está contido o aneurisma. Indicados, sobretudo para aqueles aneurismas que ainda não sangraram, que apresentam anatomia desfavorável e colo largo, proporcionando tratamento efetivo e evitando recanalização (ou seja, para que não volte mais a entrar sangue dentro do aneurisma). Outros dispositivos como os Diversores de fluxo, que são Stents mais tecnológicos compostos poruma malha mais densa e fechada também de Nitinol, são utilizados para tratamento de aneurismas mais complexos e desafiadores, como os aneurismas gigantes. Esse dispositivo promove uma “diversão” do fluxo para dentro do aneurisma, ou seja, impedindo que haja fluxo para o interior dele, fazendo com que aneurisma feche e desapareça lentamente. O mais recente dispositivo, que vem chegando ainda ao Brasil recentemente, é o chamado WEB (Woven EndoBridge), utilizado também para aneurismas de bifurcação de vasos e largos, tanto para aqueles aneurismas rotos (que sangraram), quanto para aqueles que não sangraram (incidentais). O dispositivo é inovador e não necessita uso de antiagregação ou anticoagulação, bem como não necessita o suporte de molas, balões ou stents. Consiste num tipo de dispositivo colocado dentro do aneurisma, preenchendo toda a superfície do interior do aneurisma, e fazendo com que o mesmo oclua e desapareça.

Na Hemodinâmica do Hospital São Carlos, você encontra todas essas novas tecnologias, além de contar com o corpo clínico com maior expertise e capacitado da cidade, promovendo um atendimento rápido e integrado de todas às áreas que interessam à neurointervenção, como Neurologia Clínica, Neurocirurgia e Neurorradiologia de Imagem, além de um excelente atendimento multiprofissional.

 

Dr. Sérgio Melo

Neurocirurgião e Neurorraiologista

CREMEC: 10172  
RQE NRC: 8936 
RQE NRI: 9075

 

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